Creio que toda partícula de poeira que voa debaixo do sol não se move um milímetro a mais ou a
menos do que Deus deseja; toda partícula de espuma que colide com o barco a vapor tem sua órbita,
assim como o sol nos céus; toda palha que voa da mão do joeireiro é conduzida como as estrelas em
seus percursos. O rastejar de um pulgão sobre o botão de uma rosa é tão xo quanto a marcha de uma
pestilência devastadora; a queda […] das folhas de um álamo é tão ordenada quanto o rolar de uma avalanche Você dirá nesta manhã: Nosso pastor é fatalista. Seu pastor não é tal coisa. Alguns dirão: Ah! Ele
acredita no destino. Ele não acredita no destino de maneira alguma. O que é o destino? O destino é isto: o que tem de ser será. Mas há uma diferença entre isso e a providência. A providência diz: o que
Deus ordena será; mas a sabedoria de Deus nunca ordena algo sem um propósito. Tudo neste mundo
está trabalhando para alguma grande finalidade. O destino não diz isso. O destino diz apenas que a
coisa tem de ser; a providência, por sua vez, diz: Deus move as rodas adiante, e lá estão elas.
Se alguma coisa daria errado, Deus a corrige. E, se há alguma coisa que quer se mover
obtusamente, Deus coloca sua mão e a altera. Então, chega-se à mesma coisa; mas há uma diferença
quanto ao objetivo. Entre destino e providência, há toda a diferença que existe entre um homem de
olhos bons e um homem cego. O destino é cego; é a avalanche que soterra a vila lá embaixo e destrói
milhares de pessoas. A providência não é uma avalanche; é um rio ondulante, agitado, a princípio,
como um riacho que desce dos lados da montanha, seguido por rios menores, até que chega ao
oceano amplo do amor eterno, que trabalha para o bem da raça humana. A doutrina da providência
não é: o que tem de ser será. Antes, a doutrina da providência é: aquilo que existe trabalha para o bem
de nossa raça e, em especial, para o bem do povo eleito de Deus. As rodas estão cheias de olhos; não são rodas cegas.
Spurgeon
