quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Natal

 


O Natal é a promessa de que o Deus que surgiu na história e chega diariamente em mistério, um dia virá em Glória. Deus está dizendo em Jesus que um dia tudo estará bem. Nada pode prejudicar você permanentemente, nenhum sofrimento é irrevogável, nenhuma perda é irreparável, nenhuma derrota é mais que transitória, nenhuma decepção é definitiva. Jesus não negou a realidade do sofrimento, do desânimo, da decepção, da frustração e da morte; simplesmente declarou que o Reino de Deus venceria todos esses horrores, que o amor do Pai é tão pródigo que nenhum mal jamais poderá resistir a ele.


Brennan Manning

quinta-feira, 19 de junho de 2025

Os Últimos dias

 


A Doutrina da Segunda Vinda é profundamente incompatível com todo o caráter evolucionário ou desenvolventista do pensamento moderno. Fomos ensinados a pensar no mundo como algo que cresce lentamente em direção a perfeição, algo que progride ou evolui. A apocalíptica cristã não nos oferece essa esperança. Ela nem mesmo prediz. uma decadência gradual. Ela prediz um súbito e violento fim imposto de fora: um instintor apontado para uma vela, um tijolo jogado no gramafone, uma cortina descendo sobre a peça - Parada.


A Última Noite do Mundo

sexta-feira, 4 de abril de 2025

Destino ou Providencia?


 Creio que toda partícula de poeira que voa debaixo do sol não se move um milímetro a mais ou a menos do que Deus deseja; toda partícula de espuma que colide com o barco a vapor tem sua órbita, assim como o sol nos céus; toda palha que voa da mão do joeireiro é conduzida como as estrelas em seus percursos. O rastejar de um pulgão sobre o botão de uma rosa é tão xo quanto a marcha de uma pestilência devastadora; a queda […] das folhas de um álamo é tão ordenada quanto o rolar de uma  avalanche  Você dirá nesta manhã: Nosso pastor é fatalista. Seu pastor não é tal coisa. Alguns dirão: Ah! Ele acredita no destino. Ele não acredita no destino de maneira alguma. O que é o destino? O destino é isto: o que tem de ser será. Mas há uma diferença entre isso e a providência. A providência diz: o que Deus ordena será; mas a sabedoria de Deus nunca ordena algo sem um propósito. Tudo neste mundo está trabalhando para alguma grande finalidade. O destino não diz isso. O destino diz apenas que a coisa tem de ser; a providência, por sua vez, diz: Deus move as rodas adiante, e lá estão elas. Se alguma coisa daria errado, Deus a corrige. E, se há alguma coisa que quer se mover obtusamente, Deus coloca sua mão e a altera. Então, chega-se à mesma coisa; mas há uma diferença quanto ao objetivo. Entre destino e providência, há toda a diferença que existe entre um homem de olhos bons e um homem cego. O destino é cego; é a avalanche que soterra a vila lá embaixo e destrói milhares de pessoas. A providência não é uma avalanche; é um rio ondulante, agitado, a princípio, como um riacho que desce dos lados da montanha, seguido por rios menores, até que chega ao oceano amplo do amor eterno, que trabalha para o bem da raça humana. A doutrina da providência não é: o que tem de ser será. Antes, a doutrina da providência é: aquilo que existe trabalha para o bem de nossa raça e, em especial, para o bem do povo eleito de Deus. As rodas estão cheias de olhos; não são rodas cegas.

Spurgeon



 

terça-feira, 24 de dezembro de 2024

A Encarnação do Verbo

 



Esse Bebê recém -  nascido

veio para pilhar satanás e seu aprisco;

E o inferno a sua presença treme

e ele de frio de fato geme.

Pois com esse sábio manso, desarmado, o portal do inferno ficara abalado.

Com lágrimas, luta e conquista tudo tendo o peito nu por escudo;

Seus golpes, o choro do bebê mimoso;

E as flechas, os olhos chorosos;

Sua insígnia marcial, o frio e a fragilidade gentil; 

E o corcel do guerreiro, a carne débil.


Robert Soutwell


sexta-feira, 12 de janeiro de 2024

O Evangelho da Graça e a Graça do Evangelho.

 


O filho de Deus sabe que a vida tocada pela graça chama-o para viver numa montanha fria e exposta ao vento, não nas planícies aplainadas de uma religião sensata e de meio-termo. Pois no coração do evangelho da graça o céu escurece, o vento ruge, um jovem sobe um outro monte Moriá em obediência ao Deus implacável que exige tudo. Ao contrário de Abraão, ele carrega nas costas uma cruz, e não lenha para o fogo (...) como Abraão, em obediência a um Deus selvagem e irrequieto que fará as coisas da sua forma não importe o que custe. Esse é o Deus do evangelho da graça. Um Deus que, por amor a nós, mandou o único Filho que jamais teve embalado em nossa própria pele. Ele aprendeu a andar, tropeçou e caiu, chorou pedindo leite, transpirou sangue na noite, foi fustigado com um açoite e alvo de cusparadas, foi preso à cruz e morreu sussurrando perdão sobre todos nós. O Deus do cristão legalista, por outro lado, é com frequência imprevisível, errático e capaz de toda espécie de preconceito. Quando vemos Deus dessa forma sentimo-nos compelidos a nos envolvermos em alguma espécie de mágica para aplacá-lo. A adoração de domingo torna-se um seguro supersticioso contra os seus caprichos. Esse Deus espera que as pessoas sejam perfeitas e estejam em perpétuo controle de seus sentimentos e emoções. Quando gente esmagada por esse conceito de Deus acaba falhando — como inevitavelmente acontece — ela em geral espera punição. Ela por isso persevera em práticas religiosas ao mesmo tempo em que luta para manter uma imagem oca de um eu perfeito. A luta em si é exaustiva. Os legalistas nunca são capazes de viver à altura das expectativas que projetam em Deus.


Brennan Manning

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

De grandibus Humilitates

 


Não ficas envergonhado de erguer a cabeça, tu que não endireitas o coração? De ter o corpo ereto, tu que rasteja por terra? Pois não é rastejar por terra ter o gosto pela carne? Desejar o carnal? buscar o carnal? Contudo, por quanto fostes criado a imagem e semelhança de Deus, tornando-te semelhante aos animais ao perder aquela semelhança, tua vida ainda é uma imagem. Se, portanto, quando estavas na grandeza, não compreendeste que era lodo da terra, ao menos cuida, agora que estás afundado no lodo do abismo, de não ignorar que és a imagem de um Deus e enrubesce por tê-la encoberto com uma semelhança estranha. Lembra-te de tua nobreza e envergonha-te de tal defecção. Não ignores tua beleza, para não seres mais confundido com tua feiura.


Bernardo de Claraval

segunda-feira, 3 de julho de 2023

Secularização

 


Como o Poder das Trevas se corrompeu? Aqui, sem dúvida, fazemos uma pergunta para a qual os seres humanos não podem dar uma resposta com absoluta certeza, entretanto, pode-se oferecer uma hipótese razoável (e tradicional) com base em nossa própria experiência de corrupção. No momento em que você tem um ego, surge a possibilidade de colocar a si mesmo em primeiro lugar — de querer ser o centro —, que é o desejo, na verdade, de ser Deus. Esse foi o pecado de Satanás, e esse foi o pecado que ele ensinou à raça humana. Algumas pessoas acham que a queda do homem teve algo a ver com sexo, mas isso é um equívoco. (A história do livro do Gênesis arma, antes, que em decorrência da queda, a nossa natureza sexual se corrompeu, mas como resultado dela, não sua causa.) O que Satanás pôs na mente de nossos ancestrais remotos foi a ideia de que eles poderiam “ser como deuses” — como se pudessem estruturar-se por si mesmos, como se tivessem criado a si mesmos —, ser os seus próprios mestres — inventar uma espécie de felicidade para si fora de Deus, à parte de Deus. E dessa tentativa desesperada veio praticamente tudo o que chamamos de história humana — dinheiro, pobreza, ambição, guerra, prostituição, classes, impérios, escravidão —, a longa e terrível história do homem tentando encontrar felicidade em algo diferente de Deus.


C. S. Lewis