quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Cartas de Amor...





Todas as cartas de amor são ridiculas.
Não seriam cartas de amor se não fossem ridiculas.

Também escrevi no meu tempo cartas de amor, como as outras, ridiculas.

As cartas de amor, se há amor, tem de ser ridiculas.

Mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridiculas.







Álvaro de Campos (Heterônimo de Fernando Pessoa)

domingo, 2 de outubro de 2011

Seiscentos e sessenta e seis





A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas; há tempo...
Quando se vê, já é 6º-feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, já é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem - um dia- uma outra
                                                [oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada
e inútil das horas.







Mário Quintana